Automutilação: Uma Linguagem Silenciosa em Busca de Controle e Expressão Emocional
Hildeliza Boechat Cabral
Doutora e Mestra em Cognição e Linguagem (UENF). Estágio Pós-doutoral em Direito Processual Civil (UFES). Pesquisadora. Extensionista. Orientadora de IC e de TCC. Docente dos Cursos de graduação de Direito (Direito Civil Sucessões) e Medicina da Universidade Iguaçu (Ética e Bioética e Direito em Saúde) – Itaperuna. . Membro do Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil (IBERC). Membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB). Membro da Diretoria da SB-Rio, Comissão de Ética. Miembro de La Asociación Argentina de Bioetica Juridica UNLP (AR). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Bioética e Dignidade Humana (GEPBIDH). Avaliadora da Revista de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dentre outras. Linha de pesquisa: Mistanásia, saúde pública, vida e morte dignas e transversalidades. Membro de comitê editorial de revistas acadêmicas. Membro da Academia Itaperunense de Letras (Cadeira 13). Coordenadora de Projetos Interdisciplinares e interinstitucionais. Obras autorais: Mistanásia: vidas banalizadas, mortes miseráveis (Encontrografia, 2023); “Ortotanásia: a arte de bem morrer no tempo certo” (Atena, 2023); “Suicídio no Brasil: contextualização, vulnerabilidade e ações preventivas” (Encontrografia, 2022) com mais 7 autores. “Mistanásia em tempos de Covid-19” (Encontrografia, 2020); “Consentimento Informado no Exercício da Medicina e Tutela dos Direitos Existenciais: uma visão interdisciplinar – Direito e Medicina”, 2018 (2ed, Appris). Organizadora de 40 obras, dentre as quais se destacam: Direito médico e da saúde (Almedina, 2024); tratado de Bioética Jurídica (Editora Almedina, 2022); Inseminação caseira: múltiplas faces, vol. 1 e 2 (Encontrografia, 2022). Publica artigos em periódicos jurídicos nacionais e internacionais, teve artigo citado e comentado em notícias do site do STJ (matéria publicada p. 125 da Revista Brasileira de Direito das Famílias e Sucessões, IBDFAM, vol. 25). Teve artigo citado em acórdão do STJ, Min. Luis Felipe Salomão (íntegra acórdão public. Rev. Empresarial Magister n 47, p.126). Pedagoga.
Stella Silva Almenara Cardoso
Graduada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Graduanda em Medicina pela Universidade Nova Iguaçu.
João Vitor Mota de Andrade
Graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa. MBA em Gestão Empresarial – FGV. Graduando em Medicina pela Universidade Nova Iguaçu.
Introdução
A automutilação é um fenômeno intricado, categorizado em dois grupos que se relacionam com a intenção por trás do ato. Dessa forma, faz-se distinção entre a Automutilação Deliberada, que abrange todos os métodos de automutilação sem diferenciar se é uma tentativa de suicídio (SKEEG, 2005), e a Automutilação Não Suicida, que diz respeito a lesões como cortes, queimaduras e arranhões, envolvendo a destruição do tecido sem a intenção de morte (NOCK, 2006). Conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-11) (OMS, 2022), a automutilação é interpretada como Movimento Estereotipátido com Auto injúria. Contudo, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) em sua quinta versão (APS, 2014) propôs que a automutilação seja classificada como um diagnóstico independente, sugerindo a denominação Automutilação Não Suicida (AMNS).
Neste contexto, abordaremos a automutilação sem intenção de morte, caracterizada por ferimentos infligidos ao próprio corpo sem a finalidade consciente de morte (Krug et al., 2002). Assim, não se configura como uma tentativa de suicídio, pois não há a intenção de autoextermínio. Apesar do termo “automutilação” ter se popularizado no Brasil, a expressão “autolesão” se mostra mais precisa, abrangendo práticas como cortes na pele, queimaduras, arranhões, impacto físico, como se bater e se socar, além de colidir contra paredes e outros objetos (Gonçalves, Avanci e Njaine, 2023).
De acordo com a OMS, os determinantes sociais de saúde referem-se às condições sociais, econômicas, políticas, culturais e ambientais nas quais o indivíduo está inserido, podendo influenciar diretamente ou indiretamente em seu estado de saúde (OMS, 2011). Logo, a automutilação é um fenômeno complexo, uma alteração no estado de saúde do indivíduo, que possui determinantes emocionais, sociais e contextuais.
Os motivos que levam uma pessoa a se automutilar são diversos. O ato pode ser uma tentativa de modular emoções intensas, regular sentimentos indesejados, expressar a incapacidade de verbalizar emoções, lidar com baixa tolerância ao estresse e enfrentar a sensibilidade aumentada a emoções conflituosas (Lima et al., 2021). Funciona, assim, como uma estratégia para lidar com o sofrimento psíquico através do sofrimento físico.
Diante de situações e sentimentos negativos, o indivíduo escolhe se ferir em áreas de fácil acesso e que podem ser ocultadas com roupas, como coxas e antebraços. O corpo torna-se o espaço onde a pessoa escreve sua narrativa de dor e sofrimento, manifestando, por meio das cicatrizes, o que a oprime e causa angústia. Isso ocorre porque muitas vezes ela não consegue articular verbalmente o que sente (Lopes e Teixeira, 2019).
A automutilação como expressão silenciosa
A origem etimológica da palavra “mutilação,” proveniente do latim com termos como mutilatio, mutilatum, e mutilo, fundamenta-se na ideia fundamental de “ato de mutilar, cortar um membro,” ou ainda “cortar, truncar ou abreviar palavras.” Essas raízes linguísticas resultam em uma pausa temporal entre as palavras que compõem uma frase ou entre as partes que constituem um corpo específico (Faria, 1962; Torrinha, 1942).
A prática da automutilação é um fenômeno complexo que abrange uma gama de comportamentos autodestrutivos, incluindo cortes, queimaduras e métodos deliberados de infligir dor ao próprio corpo (Cidade, 2020). Esses padrões variam desde cortes superficiais até formas mais graves, como queimaduras e lesões por espancamento (Cidade, 2020). No contexto da automutilação, o elemento que sofre intervenção é o próprio corpo do indivíduo, tornando-se um componente “constituído e atravessado pela linguagem” no fenômeno psicopatológico conhecido como automutilação (Cukiert, 2004, p. 233).
O inconsciente, conforme conceituado por Lacan (1964/1985), se configura como linguagem, sendo através dela que o sujeito expressa sua verdade simbólica nas complexas relações humanas. Desde antes do nascimento, o indivíduo está imerso em um sistema de significações verbais, experienciando uma comunicação peculiar e uma forma única de linguagem estabelecida através do contato com o corpo materno, deixando marcas que perduram ao longo da vida.
O corpo, nessa perspectiva, se torna o “primeiro meio de contato com o mundo, mesmo antes da existência de um Eu,” indicando que o corpo preexiste ao Eu (Azevedo; El Bizri, 2014, p. 4). A linguagem, então, configura-se como um sistema de significação que integra o indivíduo ao universo simbólico, permeando culturalmente seu corpo. Em termos gerais, a subjetividade se desenvolve pela entrada do sujeito no domínio da linguagem, levando-o a construir um discurso sobre si mesmo para estruturar uma narrativa sobre sua própria história de vida. Contudo, a angústia transcende a articulação dos significantes que expressam a verdade do sujeito, resultando em um transbordamento somático evidenciado no corpo (Reis, 2018).
Diante disso, a automutilação pode ser interpretada como uma forma de expressão não verbal, proporcionando uma saída física para emoções intensas e muitas vezes inexprimíveis. Para muitas pessoas que se envolvem nesse comportamento, a automutilação funciona como uma linguagem silenciosa, sendo uma maneira de comunicar e aliviar a dor emocional que pode ser difícil de articular de outra forma.
Quando faltam significantes para nomear os sentimentos profundos de tristeza, raiva, frustração ou desespero, ocorre o transbordamento somático por meio de cortes, queimaduras, espancamentos e perfurações autoinfligidas. Nesse contexto, a automutilação pode ser percebida como uma tentativa de traduzir sentimentos internos intensos em uma manifestação visível e tangível. As marcas físicas resultantes da automutilação frequentemente servem como uma expressão simbólica da dor emocional que a pessoa está enfrentando (Reis, 2018).
A ausência de palavras para descrever experiências emocionais pode levar à busca de formas alternativas de expressão. Portanto, a automutilação torna-se uma linguagem corporal que fala por meio de cicatrizes, cortes ou outros sinais visíveis. Essa expressão não verbal representa uma tentativa de comunicar internamente o que é difícil de comunicar externamente, uma vez que as feridas físicas se tornam testemunhas silenciosas do sofrimento emocional (Giusti, 2013).
A proibição simbólica responsável por criar uma lacuna angustiante no sujeito realiza um corte simbólico no sentido da existência. Esse corte não pode ser plenamente articulado devido à ausência de significantes que expressem adequadamente na “relação essencial da angústia com o desejo do Outro” (Lacan, 2005)
A Automutilação: Entre o Controle Ilusório e o Empoderamento Enganoso
O fenômeno da automutilação envolve uma dinâmica complexa, frequentemente incorporando elementos de controle e empoderamento ilusórios para aqueles que participam desse comportamento. A automutilação, caracterizada como a prática deliberada de causar dano físico a si mesmo, pode paradoxalmente ser percebida por alguns como uma maneira de exercer controle sobre a própria vida, embora esse controle seja, na realidade, ilusório.
Conforme apontado por Giusti (2013), a automutilação surge como uma expressão de capacidade de subjetivação reduzida, oferecendo maneiras de lidar com emoções e sensibilidades afetivas, mesmo em situações de limitada capacidade de expressão e enfrentamento, o que aumenta a vulnerabilidade a comportamentos adversos e hostis. Breton (2010) destaca que, ao infligir dor a si mesmos, os indivíduos buscam conter um sofrimento avassalador, recuperando um senso de controle em uma situação aparentemente incontrolável.
A busca por controle é uma necessidade fundamental da natureza humana, e indivíduos enfrentando desafios emocionais, traumas ou dificuldades frequentemente procuram recuperar um senso de domínio sobre suas vidas. Antecedendo a automutilação, há um aumento de tensão, raiva de si mesmo, ansiedade, depressão, disforia e a sensação de perda de controle. Ao praticar a autolesão, a pessoa pode experimentar uma temporária sensação de controle sobre suas emoções, transformando a dor emocional em dor física, que pode parecer mais gerenciável, seguida por uma sensação de bem-estar e alívio temporário.
Le Breton (2006, p. 2) descreve a automutilação como uma busca por controle em meio a uma condição que resiste ao domínio. Ao infligir dor a si mesmos, os indivíduos criam uma sensação de controle diante do desespero e da desorientação, “como uma forma de hemorragia de sofrimento que ultrapassa os limites de si mesmos”. O ato de cortar representa uma tentativa de controle e uma redução do desconforto emocional.
A automutilação é uma tentativa de barrar o sentimento de colapso, utilizando o choque da realidade induzido pelo corte para reagrupar os fragmentos esparsos da própria identidade. Essa prática permite uma reintegração e alimenta o sentimento de estar viva, restabelecendo as fronteiras da própria existência (Le Breton, 2006, p. 5). Na automutilação, a dor física atua como meio de liberar a tensão psíquica insuportável, sendo o impulso emocional o motivador central dessas ações. Giusti (2013) destaca que, embora a ação proporcione uma sensação temporária de bem-estar e alívio, os sentimentos angustiantes retornam posteriormente. A dor resultante do corte, a visão da ferida e a observação do processo de cicatrização podem acalmar a dor por períodos breves.
O termo “empoderamento” é definido como a ação de se tornar poderoso, possuir poder, autoridade ou domínio sobre algo. O empoderamento ilusório associado à automutilação pode derivar da percepção de que, ao escolher deliberadamente se machucar, a pessoa está exercendo uma forma de autonomia sobre seu corpo e suas emoções. Essa ilusão de poder pode proporcionar uma sensação momentânea de alívio, permitindo que o indivíduo lide com suas emoções de maneira tangível, mesmo que prejudicial.
A literatura descreve a automutilação como uma estratégia de empoderamento, fundamentada na percepção de um indivíduo que se considera extremamente vulnerável e desprovido de voz diante de sua realidade social. No entanto, é crucial reconhecer que esse senso de controle e empoderamento é efêmero e enganoso. A automutilação não resolve as questões subjacentes que levaram a essa prática, e os riscos associados a danos físicos e psicológicos são significativos. Em vez de oferecer uma solução duradoura, a automutilação muitas vezes perpetua um ciclo de sofrimento, contribuindo para um padrão autodestrutivo.
Padrões da Automutilação
Os padrões da automutilação abrangem uma diversidade de manifestações, que variam desde cortes superficiais até formas mais graves, como queimaduras e lesões por espancamento (Cidade, 2020). Contudo, essa prática está associada a certos padrões de comportamento e características típicas, frequentemente ligados a fatores como idade, gênero, condições mentais, histórico de trauma, desafios emocionais e o envolvimento em redes sociais. Exploraremos esses fatores, abordando questões psicossociais, biológicas e contextuais que podem influenciar a relação com a automutilação.
- Idade:
A automutilação pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas é mais prevalente em adolescentes e adultos jovens (Cruz, 2023). A adolescência é uma fase crítica para o estudo da automutilação, visto que estudos epidemiológicos indicam um aumento significativo desse comportamento nesse período (Lopes, 2020). Fatores como busca por identidade, pressão social e dificuldades no manejo de emoções intensas contribuem para a vulnerabilidade nessa fase do desenvolvimento. Além disso, pesquisas recentes revelam variações nos padrões de automutilação ao longo da vida, incluindo uma incidência relativamente rara durante a infância e nuances distintas em adultos mais velhos, relacionadas a isolamento social e condições de saúde mental.
- Condições mentais:
A automutilação está frequentemente ligada a diversos transtornos mentais, evidenciando uma complexa interconexão entre a saúde mental e esse comportamento autodestrutivo (Cabral, 2021). Indivíduos que praticam a automutilação muitas vezes enfrentam transtornos subjacentes, como depressão, ansiedade, transtorno de personalidade borderline e transtorno alimentar (Cidade, 2020). Esses transtornos são considerados fatores de risco significativos para a automutilação, visto que a prática funciona como uma estratégia equivocada para lidar com a dor emocional intensa associada a essas condições.
A presença de impulsividade, comorbidades e intensidade dos sintomas psiquiátricos desempenham um papel crucial na relação entre transtornos mentais e automutilação. Indivíduos que têm dificuldades em regular emoções recorrem à automutilação como uma forma de comunicação não verbal de seu sofrimento interno (Pinheiro et al., 2021). A identificação e tratamento adequado dessas condições psiquiátricas são cruciais para a prevenção da automutilação e promoção de estratégias mais saudáveis de enfrentamento.
- Histórico de trauma:
A automutilação está intrinsecamente associada a experiências traumáticas, formando uma área crítica de estudo na interseção entre saúde mental e vivências adversas (Cabral, 2021). Indivíduos expostos a eventos traumáticos, como abuso físico, sexual ou emocional, muitas vezes recorrem à automutilação como um meio de enfrentar e expressar a dor resultante dessas experiências (Cruz, 2023). A literatura destaca a automutilação como uma tentativa de lidar com memórias traumáticas não processadas, funcionando como uma forma de controle sobre a própria dor.
A automutilação também é considerada uma manifestação do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), onde a vivência do trauma continua a se manifestar através de sintomas autodestrutivos (Panagioti et al., 2015). Abordar casos de automutilação relacionados a experiências traumáticas requer uma compreensão ampla e sensível, não apenas do comportamento autodestrutivo, mas também do trauma subjacente.
- Desafios emocionais:
A automutilação está intrinsecamente ligada aos desafios emocionais e é frequentemente utilizada como uma maneira de lidar com emoções intensas, como tristeza, raiva, ansiedade e frustração (Cruz, 2023). Indivíduos que carecem de habilidades eficazes de regulação emocional recorrem à automutilação como uma forma de obter alívio momentâneo, já que a dor física serve como um substituto temporário para a dor emocional (Pinheiro et al., 2021).
Nesse contexto, a automutilação adquire um significado ambíguo, sendo vista como uma maneira de aliviar conflitos emocionais, mas também como uma estratégia insuficiente que confronta a realidade de não resolver tais conflitos (Fukumitsu; Vale, 2020). Estratégias terapêuticas focadas no desenvolvimento de habilidades de regulação emocional e promoção de alternativas adaptativas de enfrentamento são essenciais para interromper o ciclo da automutilação e promover a saúde mental a longo prazo.
Em síntese, a compreensão dos padrões da automutilação requer uma abordagem holística, considerando não apenas as manifestações externas desse comportamento, mas também os fatores subjacentes que influenciam sua ocorrência. Uma análise multifacetada proporciona insights valiosos para estratégias de intervenção e prevenção mais eficazes, destacando a necessidade de abordagens clínicas sensíveis e abrangentes.
Conclusão
A análise detalhada da automutilação revela um fenômeno complexo, enraizado em distintos fatores que abrangem desde as classificações formais da CID-11 até as nuances subjetivas da experiência individual. A terminologia, seja Automutilação Deliberada ou Automutilação Não Suicida, reflete a evolução do entendimento clínico desse comportamento ao longo do tempo, com implicações importantes para a prática diagnóstica e terapêutica.
A automutilação sem intenção de morte, como discutido, não se limita à dimensão física, mas transcende para o âmbito simbólico. O corpo, como veículo primordial de expressão, torna-se um espaço onde as emoções intensas, muitas vezes inexprimíveis verbalmente, encontram uma linguagem silenciosa. As cicatrizes e lesões, como narrativas visíveis, denotam o sofrimento psíquico que o sujeito busca externalizar.
Destaca-se ainda a relação entre a automutilação, controle ilusório e empoderamento enganoso. O fenômeno complexo se desdobra em uma dinâmica paradoxal, onde a busca por controle sobre emoções avassaladoras pode levar a uma ilusão temporária de domínio. O ato de infligir dor a si mesmo é analisado como uma resposta à necessidade fundamental de recuperar um senso de domínio em situações percebidas como incontroláveis. No entanto, reconhecemos que esse controle é efêmero e muitas vezes perpetua um ciclo autodestrutivo.
Além disso, cabe ressaltar os padrões da automutilação, considerando fatores como idade, condições mentais, histórico de trauma e desafios emocionais. A prevalência, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, destaca a importância de estratégias de intervenção direcionadas a grupos específicos. A interconexão entre automutilação e transtornos mentais, história traumática e desafios emocionais salienta a necessidade de abordagens integrativas, que abordem o paciente como um todo.
Assim, mostra-se indispensável a articulação de estratégias terapêuticas que considerem as complexidades individuais, promova a regulação emocional e ofereçam alternativas adaptativas é crucial. Ao encarar a automutilação como uma linguagem simbólica e explorar seus padrões em profundidade, pode-se construir abordagens mais eficazes para prevenção, intervenção e suporte emocional a longo prazo.
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