O discurso

Gisele Leite

Professora universitária há 3 décadas; Mestre em Direito; Mestre em Filosofia; Doutora em Direito; Pesquisadora – Chefe do Instituto Nacional de Pesquisas Jurídicas; 29 obras jurídicas publicadas; Articulistas dos sites JURID, Lex Magister; Portal Investidura, Letras Jurídicas; Membro do ABDPC – Associação Brasileira do Direito Processual Civil; Pedagoga; Conselheira das Revistas de Direito Civil e Processual, Revista de Direito Trabalho e Processo, Revista de Direito Prática Previdenciária da Paixão Editores – POA – RS

 

 

 

O atual Presidente da República do Brasil abriu os discursos da octogésima Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 23 de setembro de 2025, quando citou os dados sobre a fome no mundo, a guerra na Faixa de Gaza e a preocupação de preservar o meio ambiente.

As alegações feitas dotadas de veracidade e, foram apenas afirmações factuais, com números, datas, comparações e outras medidas. Nessa Assembleia fora elogiado por Trump, e afirmou que a condenação de Bolsonaro significa um recado aos candidatos a autocratas.

O evento ocorre num contexto de crescente tensão na relação Brasil e EUA e, afirmou Trump que combinou com o atual presidente brasileiro que se reuniriam na próxima semana. Segundo Trump o atual presidente brasileiro parece ser uma pessoa interessante e houve simpatia entre eles.

Afinal, seria a primeira oportunidade de diálogo entre os dois presidentes desde que Trump anunciou desde julho do corrente anos, as tarifas de cinquenta por cento sobre produtos brasileiros exportados aos norte-americanos, entre as causas apontou-se o processo criminal por tentativa de golpe de Estado e outros crimes imputados ao ex-presidente Bolsonaro.

A partir de então, as sanções só foram ampliando e preocupando as autoridades brasileiras. Recentemente, deferiu a revogação do visto de oito ministros da Suprema Corte brasileira e ainda a aplicação da Lei Magnitsky contra o Ministro Alexandre de Moraes e, sua esposa.

O Itamaraty afirmou ter recebido a notícia “com profunda indignação” e que o recurso utilizado por Trump é uma “ofensa aos duzentos e um anos de amizade entre os dois países”.

Lula em seu discurso aludiu criticando as sanções arbitrárias sofridas e ainda a tentativa de intervenções unilaterais, sem, contudo, citá-lo, nominalmente. Foi de uma elegância crassa.

Afirmou ainda que: “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.”

“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.”

Ratificou em claros termos que: “a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável”.

“Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.”

O presidente brasileiro apontou ainda sobre o autoritarismo e a soberania. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente à arbitrariedade”, afirmou. “Seguiremos como nação independente e povo livre de qualquer tipo de tutelas.”

Lula criticou o ataque terrorista do Hamas em 2023 e o “massacre” em Gaza. “Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”. E defendeu os judeus, “que dentro e fora de Israel”, se opõem à guerra em Gaza.

Frise-se que se seguiu a tradição, Lula fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23/9). A fala do presidente ocorreu depois do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e da presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock.

Lula chegou na ONU acompanhando da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva. Na delegação, estavam também o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, e os ministros das Relações Exteriores e da Justiça e Segurança Pública, Mauro Vieira e Ricardo Lewandowski, respectivamente.

O atual Presidente da República argumentou a defesa da América Latina como “zona de paz”, questionando o uso da força em meio ao assédio militar americano à ditadura venezuelana.

Sem citar os EUA ou o presidente Trump, o presidente brasileiro questionou o “uso da força legal numa situação que não constitui conflito” e o comparou a eliminar pessoas “sem julgamento”. É a declaração mais dura de Lula desde que começou a operação militar dos EUA no Caribe.

Afirmou que não se faz pacificação com impunidade (num recado também ao Congresso brasileiro). E fez outros contrapontos a Donald Trump sem nunca citar o presidente americano ao defender o multilateralismo, o fim dos conflitos, a regulação das big techs e o reconhecimento do Estado palestino, e dizer que um dos problemas mais graves pelos quais o mundo passa hoje se dá na área do comércio global.

Notou-se uma contradição no discurso, pois começou condenando as ditaduras e, depois, fez uma defesa lateral da Venezuela e de Cuba que correspondem a duas ditaduras. Na teia feita de alfinetadas a Donald Trump, no encerramento do discurso, Lula defendeu o multilateralismo, especialmente, de grupos como o G20, e o BRICs, que foram presididos pelo Brasil nos anos de 2024 e 2025.

Interrompido por muitos aplausos quando sem citar Trump lhe dirigiu muitas críticas de forma elegante e diplomática.

Houve três momentos marcantes. O primeiro ao afirmar que a soberania e democracia brasileiras são inegociáveis, diante das sanções impostas pelos EUA e, ao criticar a inclusão de Cuba no rol de países que apoiam o terrorismo e, por fim, ao criticar a nação anfitriã da Assembleia Geral da ONU por vetar a presença do Presidente da Autoridade Nacional da Palestina, Mahmoud Abbas.

Enfim, anunciou Lula que o mundo contemporâneo vive em desordem internacional e criticou concessões à política de poder.